Fonte : Gazeta do Povo
Você anda com a memória fraca, não lembra das tarefas a fazer? Saiba que isso pode prejudicar sua imagem no trabalho. Mas não se apavore: existem técnicas para solucionar o problema
Por Marco Sanchotene
Preste bastante atenção ao ler este texto. Isso porque a correria do dia-a-dia e a ansiedade fazem muitas pessoas não se concentrarem em suas atividades. Dessa forma, elas esquecem o que fizeram e perdem tempo e oportunidades tentando recuperar informações perdidas ou refazendo tarefas. Agora faça um teste: tente lembrar o que você almoçou ontem. Lembrou? E há uma semana atrás? Não lembrou? Então continue lendo, porque existem técnicas para melhorar a capacidade de memorização.
A falta de memória é problema sério para muitas profissões, segundo consultores em carreira. Além de prejudicar a produtividade do trabalhador, ela tira a credibilidade da pessoa, que nem sempre demonstra confiança ao repassar informações. “Em algumas áreas é essencial, como no Direito ou na área de vendas. Quem não tem boa memória pode esquecer essas profissões”, diz o consultor Armando Pastore, da Pensare.
Segundo ele, é preciso manter a concentração nas prioridades para conseguir apreender o que é importante para o trabalho. “Existem tantas coisas para pensar ao mesmo tempo que o cérebro seleciona as prioridades.” Pastore diz que usa diferentes métodos para se lembrar do que considera imprescindível para sua profissão. Um deles é a “âncora mental”. “Quando vou dar uma palestra, preparo tudo o que vou falar. Na hora da apresentação, escolho um lugar para ser minha “âncora”. Determino que, se alguma coisa der errado e eu esquecer o que tinha que falar, é ali que vou me lembrar de tudo. E funciona”, explica.
O professor Flávio Pereira, da Cérebro & Comunicação – Desenvolvimento Pessoal, diz que, com o treino, é possível memorizar um livro de 200 páginas ou um conjunto de 30 imagens diferentes, por exemplo. “Pelas técnicas de mapa mental, de associação de ícones, entre outras, posso fazer alguém decorar a tabela periódica inteira, se a pessoa quiser”, diz. Conforme ele, a falta de memória está intimamente relacionada a uma concentração diminuta, que pode ser fruto de problemas físicos ou psicológicos. Quando aparece alguém com estresse, depressão ou ansiedade em seu curso de técnicas de memorização, o professor indica uma consulta com um médico. Se o caso não for grave, ele ensina técnicas de relaxamento e meditação para permitir um aumento da concentração.
Para a instrutora Milca Stoyanow, que ministra o curso de técnicas de memorização no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Paraná (Senac-PR), quem esquece seus compromissos, datas importantes ou o nome de seus contatos acaba prejudicando a imagem profissional. “Isso causa constrangimentos e prejuízo”, diz. Segundo ela, a falta de memória pode estar relacionada ao estresse, a problemas neurológicos, causados pelo abuso de álcool, cigarro, drogas ou alguns medicamentos, e à falta de atenção. “A base da memória é perceber uma situação e se envolver emocionalmente com ela. Quem não tem concentração não retém a informação. Como lembrar de algo que não foi retido?” Milca diz que a técnica básica de melhorar a memorização é associar todo o conteúdo conhecido com imagens. “Mas é uma técnica, que precisa ser treinada e dominada.”
Além dos cursos presenciais oferecidos por empresas de desenvolvimento profissional, existem no mercado treinamentos em manuais para melhorar a memória. Geralmente eles vêm acompanhados de técnicas de leitura dinâmica, muito relacionada à capacidade de memorização. A promessa é que é possível aumentar em quatro vezes ou mais a velocidade de leitura e de absorção de informações – a idéia é ler rápido, mas entender tudo o que está escrito. Agora, faça o teste no quadro para ver como anda sua memória.


