Fonte : Revista Vencer!
por Margot Cardoso (Edição Nº 27)
O Mind Mapping® (ou Mapa Mental) é uma ferramenta poderosa para quem deseja desenvolver alta capacidade de retenção e memorização de informações de qualquer tipo de conteúdo. Chega a reduzir o tempo de estudo de 4 para 1 hora.
Você assiste a uma palestra, faz anotações, e depois não entende nada? Está assistindo a uma aula, anota tudo que considera importante, e, um dia depois, revê as anotações e não vê sentido em nenhuma informação? Está reestruturando um trabalho, põe no papel e fica ainda mais perdido? Então anote o nome da solução: Mapa Mental.
Apesar do nome, o princípio do Mapa Mental é semelhante aos resumos em forma de esquema que algumas vezes fazemos para anotar determinado conteúdo. A diferença entre o Mapa Mental e um esquema tradicional é o formato. No Mapa Mental, usa-se pouco texto, imagem e cores, e o esquema de informações é organizado de acordo com o formato assimilado pelo nosso cérebro. O seu criador, o inglês Tony Buzan, acredita que, se quem guarda as informações é o cérebro, então esta tarefa é facilitada se enviarmos as informações no mesmo formato que ele processa.
Testemunho vivo
Liz Kimura, facilitadora internacional, certificada pela Buzan Centre (fundada por Tony Buzan), na Inglaterra, é um exemplo vivo da eficácia do Mapa Mental. Liz, que tem trabalhos realizados no Brasil, na América Latina, nos Estados Unidos e no Japão, conta que cursou Direito com muito esforço, porque não gostou do curso. No último ano, pensou em desistir, mas foi desencorajada pelos amigos. Afinal, faltava apenas um ano. "Soube do Mapa Mental por um amigo, que recomendou que eu estudasse este último ano com o recurso. Garantiu-me que eu terminaria a faculdade sem sofrer", conta ela.
Liz resolveu experimentar e era a atração da sala. "Durante o quinto ano, eu anotava todas as aulas em Mapa Mental, desde direito de família até embargos de declaração. Eu era motivo de piada. Diziam que educação artística era no outro campus, etc. Mas eu nem me importava e argumentava que depois compararíamos as notas no mural", recorda.
A partir daí, com o uso do mapa, Liz começou a ter as melhores notas. Teve o melhor desempenho em prova oral: suas respostas eram mais completas, abrangentes. "Depois do Mapa Mental, eu melhorei muito meus argumentos. Falava com os outros alunos de igual para igual. Antes era muito passiva, até pela total desmotivação pelo tema. Consegui, pela primeira vez, uma nota 10 em direito", diz. "Os professores perguntavam o que tinha acontecido que eu tinha me apaixonado por Direito. E eu dizia: Não, continuo odiando Direito, mas encontrei um método fácil de estudo", continua, divertida.
A partir daí, Liz nunca mais parou de usar o Mapa Mental. "Uso para tudo: vida pessoal, profissional. No meu primeiro emprego, como assistente de um consultor, ele questionava as minhoquinhas, mas percebia a eficiência da minha atuação. Tive a melhor avaliação de todos os assistentes que ele teve até então".
Liz tornou-se uma entusiasta do método e resolveu se profissionalizar no Buzan Centre, na Inglaterra. Hoje, é uma divulgadora do método e é, oficialmente, a única brasileira com certificado para ministrar cursos.
Como é?
O Mapa Mental é parte de uma constatação lógica: a mente é melhor do que o pensamento. E mais: funciona diferente. A maneira linear com que racionalmente tratamos tudo, não é tão linear para o cérebro. Liz conta que Tony Buzan descobriu o método a partir de investigações de como o cérebro humano funcionava. Pesquisou as anotações de gênios como Leonardo Da Vinci e verificou que nenhum deles fazia anotações lineares. Tudo era bastante caótico, com palavras-chaves, desenhos, ilustrações. "O nosso pensamento não é linear, temos muitas idéias ao mesmo tempo. Quando ouvimos uma mensagem, o cérebro dispara muitas informações ao mesmo tempo. A nossa mente é radiante, dispara informações para todos os lados", explica Liz.
Tony Buzan sabia que quanto mais ele conhecesse o funcionamento do cérebro, melhores seriam os resultados. Foi assim que chegou ao Mapa Mental.
Método de aprendizagem acelerada
Uma informação preciosa: o Mapa Mental é um método de aprendizagem acelerada, portanto serve para qualquer conteúdo. Liz explica que a Mapa Mental chega a reduzir ¾ do tempo de um estudo tradicional Exemplificando: se determinado texto leva 4 horas para ser compreendido, com o Mapa Mental este tempo cai para 1 hora.
Com ele, pode-se anotar aulas, resumir textos, livros, informações complexas, planejamentos. E mais: serve como ferramenta para estruturar pensamentos, ajuda a desenvolver a concentração, o pensamento global, estimula a memorização, etc. Por exemplo: você dará uma palestra. O Mapa Mental é a ferramenta perfeita para estruturar seu discurso, segmentar as informações, além de dar uma visão geral, em poucos minutos, do assunto como um todo.
Se você precisa redigir um texto com muitas informações complexas, poderá primeiro escrever em Mapa Mental Depois, o formato linear fica muito mais fácil. "O texto flui melhor e evitam-se contradições e repetições", completa Liz.
Para ontem!
Para as empresas, o Mapa Mental pode ser muito estratégico. Um novo executivo precisa absorver muita informação (sobre a empresa, os produtos, o cliente), e de forma rápida. "Ele vai assimilar um grande conteúdo de informação, de forma mais rápida, e partir mais rápido para as ações e as decisões. Ele é estratégico para aprender informações complexas em tempo recorde", explica Liz. Pode ser usado como suporte no dia-a-dia profissional. "Pode-se fazer Mapa Mental da missão e dos valores de cada departamento ou empresa, auxiliando na divisão de funções, no trabalho em equipe, na pauta de reunião, no planejamento estratégico, no gerenciador de tarefas, nas entrevistas para análise de perfil, na solução de problemas e tomada de decisões, nos brainstorms. Em uma análise de negociação, com o Mapa Mental, você, apenas com a visualização do mapa, pode rapidamente avaliar as vantagens e as desvantagens, além de dar uma visão global de todos os pontos da negociação. "É uma técnica de formato e não de conteúdo", reforça.
Fale e exponha idéias com clareza
Uma grande dificuldade da maioria dos profissionais é a dificuldade de estabelecer foco, porque temos a tendência de fugir do assunto principal. Quantas vezes você já escutou: "Preste atenção! Fique quieto!" "O cérebro tem tendência a dispersão. O ser humano é dinâmico, então o natural é que venha muitas idéias ao mesmo tempo, o que acaba levando à dispersão", explica Liz.
De acordo com a especialista, o mapa é precioso no estabelecimento de foco, porque quando você estrutura as idéias, as palavras funcionam como ganchos, uma puxa a outra, aumentando muito o foco. Portanto, ajuda no reconhecimento do que é principal e do que é secundário. Mostra rapidamente qual é a importância de determinada informação, porque o que é menos importante está nas pontas. Então é possível analisar melhor os problemas e ver mais soluções, pois é um recurso que permite que você enxergue o global, apontando rapidamente alternativas, soluções e conexões.
Mas, se o Mapa Mental é excelente para montar discursos e estruturar idéias, sua funcionalidade não fica apenas restrita à construção do conteúdo. Ele ajuda também como condutor do discurso. Por exemplo: se você é avisado de que o tempo acabou e precisa finalizar, ou o discurso fica sem sentido, ou você extrapola o horário. Com o Mapa Mental, você consegue readaptar o discurso, sem quebrar o raciocínio, porque a visão do todo é muito clara, basta apenas que você não entre nos detalhes.
É só seu!
Importante: ninguém no mundo precisa entender o seu mapa. Só você. O Mapa Mental é muito individual, é uma ferramenta personalíssima. "Até orque determinados símbolos podem significar para você uma coisa e para outra pessoa algo totalmente diferente. Por exemplo, em determinadas regiões do Brasil, o sol está associado a felicidade, a lazer, a férias. Já em outras regiões, no Nordeste, pode significar o oposto: cruz, sofrimento", afirma Liz.
E mais uma dica para você se beneficiar do Mapa Mental: abra a guarda! Não veja a aplicação das cores, esquemas, símbolos e imagens como um recurso infantil, pouco sério ou restrito aos "criativos". Veja o lado positivo: o recurso elimina o sinônimo árduo que está ligado ao estudo e ao aprendizado. Entregue-se ao lúdico, brinque e aprenda muito mais.
Saiba que, apesar de ser pouco difundido no Brasil - Liz Kimura é a única profissional certificada e autorizada a ministrar cursos da técnica no Brasil -, o Mapa Mental é muito conhecido fora do Brasil, com vários livros publicados sobre o assunto (além dos escritos por Tony Buzan). Inclusive há softwares para facilitar a construção dos mapas, além de um livro na área de medicina, Mind Maps in Medicine, de P. McDermott e D.N.Clarke, uma obra só com Mapas Mentais sobre temas da medicina, divididos por assuntos.
Obedeça as 7 leis
Para a eficiência do método, alguns princípios (mesmo aqueles que você considera pouco importante) são vitais. Obedeça as leis à risca!
1) Do centro para fora e em todas as direções - Comece a escrever as informações no centro. Lembre-se que a mente é radiante. As anotações devem ser sempre na horizontal, no formato paisagem (papel retangular). O nosso campo de visão é maior na horizontal (e por razões óbvias: afinal, nossos olhos não estão dispostos na vertical!).
2) Use imagens - Espalhe imagens por todo o Mapa Mental. O clássico "as imagens valem mais do que mil palavras" é verídico. Imagens comunicam-se mais rápido com o cérebro. Quando você pensa em "casa", vêm a sua mente as letras "C A S A"? Não. Vem a imagem. A memória é muito mais ilustrativa. Sempre dê preferência para a imagem.
3) O que eu escrevi aqui? - Escreva sempre em letra de forma, para não comprometer a legibilidade. Sem contar que a letra de forma propicia uma identificação mais imediata, mais fotográfica. O maior tempo investido para escrever desta forma é recompensando na hora de reler.
4) Cada linha deve estar conectada a outra linha - Todas as linhas devem estar conectadas. Isto dá uma estrutura básica para o Mapa Mental.
5) Cada linha, uma palavra - As palavras devem ser escritas sempre sobre a linha, obedecendo a regra de uma linha por palavra. As palavras ficam mais livres e flexíveis para se conectarem a outras idéias.
6) Cores para o cérebro - Use canetas coloridas. Sempre. Pelo menos seis cores. Evite cores que não dão boa leitura como o amarelo, por exemplo. As cores, além de facilitar a compreensão, podem ser utilizadas como códigos para comunicação não-verbal. Por exemplo: tarefas urgentes, use vermelho; negação e coisas que você não concorda, use marrom, etc. Mas o mais importante deste recurso é que com o uso das cores você potencializa o funcionamento do seu cérebro. O hemisfério direito é quem enxerga colorido; o esquerdo só enxerga em preto e branco. "Com o uso de cores, você utiliza os dois hemisférios, aumentando a sua capacidade mental. O funcionamento conjunto gera uma sinergia de informações e, claro, você fica mais inteligente", afirma Liz.
7) Direto no alvo - Anote apenas palavras-chaves. De acordo com Liz, 90% das palavras anotadas não são necessárias para a compreensão do tema. Só anote o que é mais importante.
